Nestes tempos frios que correm..sinto falta da praia...das minhas praias.
Não é propriamente da praia e do sol e da areia e da agua e das miudas em topless....é das minhas praias! Bem sei que pode ser menos correcto tomar por minha conta algo que não é meu, mas, à semelhança do que faço com meu rio, aquilo que na memória trago é meu e só meu..e por isso, quando neles penso, penso naquilo que em mim trago e por momentos, tudo aquilo me pertence...
Faz tempo que não me lanço ao alcatrão quente do Sul, em ritmo bem lento, em ansiedade para me afastar da multidão que no mesmo sentido se desloca em peregrinaçao..em ansiedade para sair da auto-estrada na primeira oportunidade e me dirigir para o litoral, para as estradas mais que que secundárias, bem perto do litoral...
Para descer bem perto do mar, com vidros bem abertos, a sentir o cheiro a oceano, em estradas turtuosas, com minhas milhares de cassetes como companhia....
Perder-me 10 mil vezes, parar só porque gostei daquela árvores e da sombra que faz e olhá-la como se fosse a última coisa que fosse ver, parar só porque me apetece....
Encontrar terrinhas e ficar a conversar num qq café, beber uma água bem fresca, fumar um cigarro....
Sem horário, sem destino, só eu e aquilo que a estrada me reservar....
Gosto do alentejo. Sempre gostei. Não sei lá muito bem porquê...acho que me sinto em casa lá....acho que este meu espírito solitário e feitio lixado encontram sempre paz nos castanhos e amarelos do alentejo...nas pessoas..e nas praias desertas que por ali algum Deus muito sábio decidiu plantar.
Bem haja, tu, ó Deus sábio.
É-me por vezes complicado colocar em linhas aquilo que me arrebata a alminha..é como quando tento escrever algo acerca do efeito da música em mim...rumar ao sul tem muitas semelhanças....
Serei capaz de ser fiel com aquilo que sinto quando apenas escrevo....que me sinto livre ao descer devagar de vidro aberto a sentir a brisa que entra? Que nem sequer concebo a ideia de olhar para um relógio? Que minhas mãos flutuam do lado de fora do carro como pássaros radiantes por terem descoberto que conseguem voar? Que não tenho folego suficiente para tamanhos suspiros que dou nem voz para tamanhos berros que dou na primeira falésia que encontro?...
Não sei....
Seja como for, adoro encontrar local para largar minhas coisas e perder-me numa qq extensão de areia...
E são tantas....e tão grandes...e tão vazias....
Há qq coisa de mágico numa extensão de areia alentejana...tem cores diferentes consuantes as horas, bem sei que é assim em todo o lado, mas estas são de uma qq palete de cores especial...aquele horizonte vasto, banhado por água atlantica fria e revolta, aquela areia semi rija....
Gosto de passear por ali fora....de calçoes ou de calças frescas, de tronco nu ou vestido, com ou sem mochila, mas sempre descalço, adoro enterrar meus pés ali...brisa que me encanta as narinas e me envolve o corpo..quando ali retorno, rio-me sempre que nem um desalmado..ou devia dizer...que nem gajo maravilhado?
A espontaneidade com que se atira aquilo que se carrega por cima das costas quando se olha para o mar sem querer saber onde cai...e lentamente se perder a roupa...
Deixar tecido desnudar nossa pele, deixar nossa pele abraçar o sol, a brisa, o mar....
Estar nú....
E avançar para a água...
Livre...
Água que envolve todos os meus poros, harmoniosa fusao entre meu corpo e seus contornos com liquido...mergulho longo e demorado que só se interrompe quando pulmões berram por ar...e explodir na superfície com sorriso do tamanho de meu mundo estampado na face!
Nadar, nadar, mergulhar, mergulhar...
Sair da água satisfeito, limpo, livre de tudo aquilo que deixei para trás....adoro sair de dentro de água nu. Sentir água escorrer por mim, cravar pés na areia seca, parar em frente do mar....expirar...suspirar...e ver que tou excitado...é inevitável..independentemente do frio, o gajo reaje sempre assim às exposiçoes ao ar livre.....e só eu sei o gozo que me dá ter erecção ao ar livre, num praia vazia ou quase vazia, e estar totalmente à vontade com isso...e espreguiçar-me livremente e dizer para mim mesmo....”ahhhhhhhhhhh, i’mmmmmfeelinggod”.....e deitar-me a gozar o sol...e ali nu ficar...a sentir calor do sol por todo meu corpo...
Não ha familias, nao ha stresses, não ha carros nem bolas de volei...não ha musicas, nao ha falta de espaço...
Ai alentejo....ai Alentejo de céu negro pintado de estrelas
Bem haja, tu, ó Deus sábio.